Política
Publicada em 12/04/17 as 16:42h - 133 visualizações
Marcelo Odebrecht cita pagamento de milhões a Lula por meio de Palocci

Da Redação


 (Foto: g1)
O empresário Marcelo Odebrecht disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que destinou milhões para o "amigo", codinome referente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro, ele cita o depósito de R$ 35 milhões; depois, fala em R$ 40 milhões. A conta, diz Odebrecht, era gerida pelo ex-ministro petista Antonio Palocci 
"O que eu combinei com o Palocci foi o seguinte: essa é uma relação minha com a presidência do PT no Brasil. Então, eu disse: vai mudar o governo, vai entrar a Dilma [Rousseff]. Esse saldo passa a ser gerido por ela, a pedido dela. A gente sabia que ia ter demandas de Lula, a questão do instituto, para outras coisas. Então vamos pegar e provisionar uma parte desse saldo, aí botamos R$ 35 milhões no saldo 'amigo', que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula",
 afirmou o delator. 
Pouco tempo depois, Odebrecht fala do pagamento de R$ 40 milhões ao ex-presidente. 
"A gente botou R$ 40 milhões que viriam para atender demandas que viessem de Lula. Veja bem: o Lula nunca me pediu diretamente. Eu combinei via Palocci. Óbvio, ao longo dos usos, ficou claro que era realmente para o Lula. [...] O Palocci me pedia para descontar do saldo 'amigo'." 
 O depoimento foi prestado na segunda-feira (10), em ação penal da Lava Jato que envolve Antonio Palocci, o ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros 13 réus. Nesta quarta (12), o juiz Sérgio Moro retirou o sigilo dos interrogatórios dessa ação. 
 O processo apura se Palocci recebeu propina para atuar em favor do Grupo Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013. O petista responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele está preso desde o dia 26 de setembro do ano passado e atualmente está na carceragem da Polícia Federal (PF), na capital paranaense.  No interrogatório, Odebrecht também relatou que contribuiu com a campanha presidencial do PT em 2010 e que destinou, num primeiro momento, R$ 50 milhões na planilha de "italiano" (Palocci, segundo o empresário). Ele disse que esse valor acabou, posteriormente, sendo movimentado pelo ex-ministro Guido Mantega, o "pós-itália", mas que Palocci sabia do acordo. 
"Eu estava numa reunião com o Guido, e ele escreveu num papel o valor de 50, mostrou e disse que tinha uma expectativa desse valor para a campanha presidencial de 2010. No âmbito da discussão. Ele não falou para mim 'eu só vou fazer isso, por causa disso'", disse Marcelo Odebrecht ao juiz. 




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